Trader, Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

19 jun 2017

TRADER – A semana começa com ânimo dos mercados mundiais, com o início das negociações do Brexit e a vitória de Emmanuel Macron nas eleições legislativas da França dando o tom no exterior. Por aqui, o mercado repercute os desdobramentos da acusação de Joesley Batista contra Michel Temer em entrevista para a Época, enquanto a base aliada do governo tenta avançar reformas econômicas. Esta sessão ainda marca o vencimento de opções sobre ações enquanto que, na agenda da semana, atenção para o RTI e para o IPCA-15. Confira os destaques:

1. Bolsas mundiais
A semana começa com ganhos para os principais índices mundiais. As bolsas europeias avançam no dia em que começam as negociações formais da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit. Na França, o presidente Emmanuel Macron fortaleceu sua posição política durante o fim de semana, depois de conseguir uma maioria nas eleições parlamentares do país ontem, o que também anima os mercados por lá, uma vez que essa vitória deve permitir um maior avanço nas reformas.

O ministro britânico para o Brexit, David Davis, designado para as tratativas, está em Bruxelas hoje para dar andamento ao divórcio. “Buscaremos relação futura especial e profunda com a União Europeia”, disse. A população decidiu pela retirada há quase um ano e há, agora, uma avaliação de que as discussões possam ser um pouco mais suaves do que o alardeado inicialmente. Isso porque o Partido Conservador perdeu a maioria absoluta do governo no Parlamento e a primeira-ministra britânica, Theresa May, está em negociação com o Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em inglês), da Irlanda do Norte, para formar um governo de coalizão. Os investidores descontarão qualquer incerteza maior sobre a libra. Às 13h30, Davis e o negociador da UE, Michel Barnier, darão entrevista coletiva em Bruxelas.

Já na Ásia, os mercados acionários chineses avançaram nesta segunda-feira, com o índice de blue-chips CSI300 interrompendo três dias de perdas, diante de sinais de que a liquidez apertada está melhorando e com a expectativa de menos listagens novas no mercado.

Entre as commodities, o petróleo WTI tem ligeira alta, mantendo-se perto de US$ 45, com empresas nos EUA continuando a instalar torres de perfuração; metais sobem em Londres, enquanto o minério de ferro sobe em Dalian e em Qingdao, na China.

Às 8h10, este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,90%

*FTSE (Reino Unido) +0,55%

*DAX (Alemanha) +0,81%

*Hang Seng (Hong Kong) +1,16% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,70% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,62% (fechado)

*Petróleo WTI +0,34%, a US$ 44,89 o barril

*Petróleo brent +0,27%, a US$ 47,50 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian +0,70%, a 433 iuanes

*Minério spot negociado em Qingdao, na China +1,94%, a US$ 56,30 a tonelada

2. Noticiário político
A crise política ganha mais um episódio com a entrevista de Joesley Batista para a revista Época, acusando Michel Temer de “ser chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil” e reafirmando a acusação de que o presidente comprou o silêncio de Eduardo Cunha. Temer respondeu dizendo que processará Joesley nas esferas civil e criminal. Segundo o Planalto, “ódio” que Joesley teria do governo Temer deve-se ao fato de o empresário ter encontrado “as portas fechadas na administração federal para seus intentos”.

Além disso, segue a expectativa pela denúncia a ser apresentada contra o presidente pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. Contudo, o jornal O Estado de S. Paulo destaca que, antes da denúncia de Janot ir ao
Congresso, ela terá de passar pelo STF, onde ficará ao menos 20 dias. Com isso, torna-se mais difícil a ideia do Planalto de acelerar a votação da denúncia na Câmara, contando com uma vitória certa e folgada de Temer, para debelar a crise política.

Mesmo em meio à continuidade da forte crise política, Temer embarca nesta segunda-feira (19) para a Europa, onde terá uma agenda de quatro dias na Rússia e na Noruega em busca de mais comércio, investimentos e cooperação. Enquanto na primeira parada a agenda será eminentemente econômica, na segunda ele deverá ouvir críticas a medidas aprovadas pelo Congresso Nacional que reduzem as áreas de preservação ambiental. Na véspera da viagem, Temer gravou no último domingo um vídeo em que, sem citar diretamente o empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, defende punição a quem cometeu crimes. O vídeo tem cerca de quatro minutos e será divulgado na tarde desta segunda nas redes sociais.

Ainda no radar político, o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello negou a solicitação feita o na sexta pela defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para que o pedido de prisão contra ele seja julgado por todos os 11 integrantes da Corte, em plenário, e não pela Primeira Turma, composta por cinco ministros, conforme previsto. Na decisão, Marco Aurélio considera que o “desfecho desfavorável a uma das defesas é insuficiente ao deslocamento”. Com o pedido indeferido, o caso segue com a Primeira Turma. Está agendado para terça-feira (20) o julgamento de dois recursos: um do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que quer a prisão preventiva de Aécio, e outro do próprio senador pedindo que seja assegurada sua liberdade.

3. Agenda econômica
Em destaque na agenda econômica da semana, está a divulgação do RTI (Relatório Trimestral de Inflação) na quinta-feira (22) às 08h30 (horário de Brasília). “O ponto alto desta semana deve ser o RTI, em que o Banco Central terá oportunidade de revisar suas projeções de inflação, incorporando o IPCA mais baixo de maio, bem como a evolução das expectativas no Focus. É possível que os dados de inflação melhores que o esperado o leve a aproveitar a oportunidade de comunicação com o mercado para amenizar adicionalmente o tom com relação à intenção de desacelerar o ritmo de queda na próxima reunião”, destaca a Rosenberg.

Dividindo as atenções, o IPCA-15 de junho, que será conhecido na sexta-feira (23), às 09h00, “deverá confirmar a tendência de desinflação verificada em outros índices de inflação, ao desacelerar de uma alta de 0,24% em maio para outra de 0,09% em junho. Com isso, a inflação em doze meses deve recuar de 3,77% para 3,45%”, projetam os economistas do Bradesco. Para o time da Rosenberg, o índice de inflação deve encerrar o mês com variação de 0,15%. Vale destacar que, na sexta-feira, o presidente do BC Ilan Goldfajn afirmou ao Estadão que, apesar do aumento da incerteza nas últimas semanas, o que interessa para a autoridade é o avanço das reformas e ajuste.

Em meio à crise política, a força de Temer no Congresso volta a ser testada com votação a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais na terça-feira. Além disso, a base governista deve retomar a busca dos votos para aprovação da reforma da Previdência, conforme apontou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) na semana passada.

Já na agenda internacional, há poucos dados no radar, mas os investidores estarão atentos as falas de membros votantes do Federal Reserve, como Willian Dudley (segunda-feira), Robert Kaplan (terça-feira) e Jerome Powell (sexta-feira), com objetivo de capturar novas sinalizações sobre o futuro da política monetária nos EUA após a reunião do Fomc da última quarta-feira.

4. Expert 2017
A agenda econômica da semana pouco movimentada será compensada com a Expert 2017, evento promovido pela XP Investimentos que trará nomes ilustres do mercado financeiro e da política para palestrarem, dentre eles Armínio Fraga, Luis Stuhlberger, Luiz Barsi, João Doria e Deltan Dallagnol. A Expert acontecerá entre os dias 22 e 24 de junho em São Paulo e os ingressos para acompanhar presencialmente podem ser adquiridos neste link:  www.expertxp.com.br/expertclientday

5. Noticiário corporativo
No noticiário corporativo, destaque para a Embraer. O CEO da companhia afirmou ver potencial para pedidos de 600 de aeronaves E2, enquanto o Estadão destaca que os EUA avaliam a compra do Super Tucano.

O noticiário sobre a JBS também é movimentado: a companhia teme ser retaliada pelo governo Temer, diz o Estadão, enquanto a Folha informa que a JBS apagou a associação com a marca Friboi em embalagens e também apontou que a empresa contratou auditoria contra acusação de lucro com delação. Já a Eldorado disse em comunicado que sua controladora, J&F, assinou acordo de confidencialidade com a Arauco para análise de eventual transação. No radar de recomendações, a B3 foi elevada de manutenção para compra pelo Deutsche Bank e a Tegma foi iniciada com recomendação neutra pelo Safra.

(Com Reuters, Agência Estado, Bloomberg e Agência Brasil)

Fonte: Infomoney

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Edu Moraes
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