Trader Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

13 jun 2017

TRADER – O noticiário político segue bastante movimentado e deve dar o tom do mercado brasileiro, com a decisão do PSDB de continuar no governo, mas não sem divergências. Enquanto isso, o governo segue com o “pacote de bondades”. No exterior, o sell-off dá algum sinal de alívio, mas o mercado segue atento ao Brexit e está de olho na decisão de quarta do Fomc, enquanto o minério de ferro tem forte queda. Confira os destaques do noticiário desta terça-feira (13):

1. Bolsas mundiais
Mesmo em meio ao cenário de incertezas com o Brexit e às vésperas do Fomc, os mercados mundiais registram uma sessão de maior alívio após o sell-off dos últimos dois pregões. As ações de tecnologia reagem na Europa, enquanto futuros do Nasdaq e S&P apontam alta, com sinais de pausa na forte queda iniciada sexta nas bolsas americanas.

A libra sobe após a premiê britânica Theresa May sobreviver a um confronto com parlamentares, procurando formar seu governo, e com alta da inflação no Reino Unido. May encontrará hoje com a líder do DUP, Arlene Foster, em Londres, em busca de uma aliança para a formação de coalizão. Contudo, enfrentará exigências do possível aliado por mais dinheiro para a Irlanda do Norte.

Já na Ásia, a forte alta nas ações de pequenas empresas levou os mercados acionários da China a avançarem hoje, mas as negociações foram baixas com os investidores cautelosos antes da provável alta dos juros nos Estados Unidos nesta semana.  No mercado de commodities, o petróleo tem 3º dia de alta discreta, sustentando nível de US$ 46, com previsões de queda dos estoques americanos; principais metais em Londres recuam, enquanto o minério cai forte na China.

Às 8h14, este era o desempenho dos principais índices:

*FTSE 100 (Reino Unido) +0,05%

*CAC-40 (França) +0,46%

*DAX (Alemanha) +0,56%

*Xangai (China) +0,46% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) +0,56% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,05% (fechado)

*Petróleo WTI +0,24%, a US$ 46,19 o barril

*Petróleo brent +0,23%, a US$ 48,40  o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian -2,78%, a 419 iuanes

*Minério spot negociado em Qingdao, na China -2,75%, a US$ 53,36 a tonelada

2. Decisão do PSDB e agenda política
O presidente nacional interino do PSDB,  senador Tasso Jereissati (CE), disse  ontem à noite que o partido segue na base de apoio ao governo Michel Temer, mas que serão feitas avaliações diárias dos cenários políticos. Segundo Jereissati, não houve deliberação do partido sobre a permanência no governo, mas a maioria da legenda entende que um eventual desembarque agora iria prejudicar as reformas. “O partido está unido, mas tem divergências. O partido não tem dono, nem é autoritário. Quem é mais velho lembra que ja tivemos crise e no momento exato seguiremos unidos”, disse.

Sobre o resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE, o  presidente nacional interino do PSDB defendeu que o partido recorra da decisão. Ele disse que os advogados do partido, no entanto, entendem ser melhor aguardar a publicação do acórdão e depois submeter a decisão à executiva. Perguntado se essa posição não seria incoerente, o tucano reconheceu que sim, mas que prefere seguir suas convicções. “Com certeza há uma incoerência nisso, mas foi a história que nos impôs. Esse não é o meu governo, nem o governo dos meus sonhos. Não votei nele [Temer] nem nela [Dilma]. Estamos juntos para dar a estabilidade que o país precisa. Estaria mais confortável com alguém do PSDB [na Presidência]”.

Para angariar apoio, o governo estuda fazer um “pacote de bondades”, com medidas que incluem desde parcelamentos de débitos de contribuintes com descontos em multas e juros, os chamados Refis, até propostas de crédito subsidiado e estudos conduzidos pela ala política sobre possíveis alterações no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), destaca o Estadão. O conjunto de benesses, no entanto, pode esbarrar na dificuldade que já existe hoje para cumprir a meta fiscal. O Valor informa que o pacote de bondades encontra resistência da equipe econômica e, em nota ao Estadão, a Fazenda  nega que haja tal negociação para mudanças como na tabela do IR. “Este assunto não está em discussão no Ministério da Fazenda”, diz a pasta.

Ainda no noticiário político, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin decidiu ontem prorrogar por mais cinco dias o prazo para a Polícia Federal encerrar a investigação sobre o presidente Michel Temer. O pedido de prorrogação foi solicitado pela PF, que alegou necessidade de mais tempo para concluir as investigações, iniciadas a partir das citações ao nome do presidente nas delações dos executivos da JBS. Sobre os imbróglios envolvendo Temer, a revista Época aponta que o diretor da Rodrimar, Rodrigo Mesquita, disse em depoimento à Polícia Federal que o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) era o interlocutor do presidente Michel Temer junto ao setor privado e foi o responsável por resolver problemas do setor portuário.

 

3. Agenda econômica
Nesta terça-feira às 9h, o IBGE divulgará os dados de vendas no varejo de abril. “Esperamos pequeno ajuste do varejo em abril, contando, pelo lado benigno, com o efeito da Páscoa e a liberação de mais recursos do FGTS; por outro lado, os feriados e a greve geral contribuem para negativamente para o resultado”, aponta a Rosenberg Consultores Associados.

Destaque ainda para as falas do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.  Ele afirmou ontem  que conduz o seu trabalho de forma técnica e apartidária, independentemente da atual crise política enfrentada pelo Brasil, e que o país não teve “oportunidade e ousadia” para reduzir a meta de inflação. Ilan disse ainda que passou o dia ouvindo de economistas que BC devia cortar mais o juro, segundo o Valor, citando fala do presidente do BC ontem à noite na entidade social Unibes, em São Paulo. Vale destacar que, nesta data, o BC oferta até 8.200 contratos de swap cambial para rolagem dos contratos de julho, 11h30 às 11h40, resultado a partir das 11h50.

No Senado, o relatório da reforma trabalhista (PLC 38/2017) deve ser lido hoje na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), após acordo entre os senadores da oposição e da base aliada do governo. O relatório de Ricardo Ferraço (PSDB-ES) é favorável à reforma e mantém o texto como foi aprovado na Câmara dos Deputados. Já a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sabatina indicado à presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), às 10h00.

No cenário internacional, atenção para a China. Após os dados positivos de balança nesta semana não empolgarem o mercado, haverá a divulgação de dados de varejo e produção industrial nesta terça às 23h. Já os EUA divulgarão os dados de preços ao produtor às 9h30, na véspera da decisão do Fomc.

4. Entrevista exclusiva
O gestor e fundador da meteórica Adam Capital – cujos fundos já entregaram até 440% do CDI em pouco mais de um ano de fundação – explicou em entrevista exclusiva ao InfoMoney por que sua tese de investimentos continua inalterada desde o ano passado. “Tanto a posição de juros quanto de câmbio não dependem da aprovação de reformas. É muito mais simples do que isso, é a percepção de que a letargia econômica tem como única resposta a queda de juros e a falta de demanda faz com que a sobra de dólares seja muito grande”, disse o gestor, que esteve na XP Investimentos no último dia 8 para falar sobre o novo fundo que ele lançará neste mês. Leia a entrevista completa clicando aqui. 

5. Noticiário corporativo
No noticiário corporativo, o Valor Econômico informa que a Arauco, Suzano e Fibria avaliam ofertas pela Eldorado. Ainda no setor frigorífico, a Minerva confirma emissão de US$ 350 mi a cupons de 6,50%. A companhia ainda reabriu frigorífico em Mato Grosso para ganhar terreno em meio à crise da JBS, afirma o Estadão. Por fim, a Usiminas retomará produção de minério em 2 instalações em Minas Gerais.

(Com Reuters, Bloomberg, Agência Estado e Agência Brasil)
Fonte: Infomoney

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Edu Moraes
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