Análise Técnica dos Mercados Financeiros #02 – Introdução à Análise Técnica

25 ago 2018

Em nosso último post sobre Análise Técnica dos Mercados Financeiros, falamos sobre análise fundamentalista, o que é análise técnica, antecipação x previsão.

Iremos dar continuidade ao conteúdo entrando em Teorias sobre o movimento dos preços no mercado.

Teoria Random Walk (passeio aleatório)

A teoria Random Walk defende que não se pode olhar os movimentos passados de uma ação, de um padrão ou de uma tendência para prever os movimentos futuros do mercado, o qual funciona de forma irracional e os movimentos dos preços são imprevisíveis, seguindo um “passeio aleatório”, como definiu Maurice Kendall, o criador dessa tooria. Kendall diz que “análise técnica divide o pedestal com a alquimia”. Em 1988, Andrew Lo, do Massachutts Institute Of Tecnolofy (MIT), publicou um estudo do mercado no período de 1962 a 1985 e provou que o mercado não é randômico.

Outro ponto consiste na afirmação de que o passado não pode ser usado para prever o futuro. Quanto a essa crítica, sabemos que várias escolas que tentam prever o movimento futuro dos preços, como a fundamentalista, também se baseiam em dados passados.

 

Será que este gráfico apresenta uma tendência ou é randômico?
grafico randomico
Teoria dos Portfólios Modernos

A Teoria dos Portfólios Modernos, por sua vez, baseia-se em nada mais nada menos do que dados passados, como s betas das ações, para realizar uma alocação de ativos em uma carteira teórica ideal.

no entanto, uma grande verdade ganha cada vez mais espaço no campo das finanças contemporâneas: como dissemos anteriormente, a ação do mercado traz embutida a variável psicológica dos investidores, a qual tende a permanecer ao longo do tempo. O comportamento deles, bem como seu grau de aversão ao risco, tende a variar de acordo com a tendência vigente.

Como bem observou o economista Robert Shiller ao descrever a bolha Financeira dos anos 1990, nos Estados Unidos, um aumento inicial de preços tende a levar a uma rodada subsequente de elevação, á medida que esse aumento inicial gera uma realimentação positiva entre os investidores. Essa segunda rodada de alta de preços leva uma terceira rodada e assim por diante.

O resultado é que o aumento inicial de preços ganha extensão ao ser amplificado por fatores como mídia e internet, no fim das contas, o motivo inicial da alta pouco importa; como em uma brincadeira de telefone sem fio, a mensagem final acaba sendo bem diferente da inicial.

Para demonstrar a validade de premissas da análise técnica, bem como a da existência de padrões psicológicos repetitivos no comportamento humano, selecionei um texto de um livro bem antigo sobre Psicologa Social, que data 1932. Após a leitura desse texto, apresentado a seguir, reflita e se pergunte se ele continua válido para os dias de hoje.

 

A Represa
Subitamente alguém começou a correr. Talvez ele simplesmente se tivesse lembrado, de repente, de um compromisso para se encontrar com a esposa, para o qual estava agora muito atrasado. Qualquer que fosse a razão, ele correu para leste, na Broad Street. Alguém masi começou a correr, talvez um jornaleiro que se sentisse alegre. Outro homem, um austero empresário, começou a correr também,. Em dez minutos toto mundo em High Street, da estação erroviária até o Palácio da Justiça, estava correndo. Um forte murmúrio cristalizou-se gradualmente na palavra "represa". " A represa rompeu-se!". O medo foi transformado em palavras por uma velhinha no bonde ou por um guarda de trânsito, ou por um garoto: ninguém sabia quem, e isso realmente pouco importava. Duzentas pessoas estavam em fuga. "Para leste!", era o grito que se ouvia: leste, longe do rio, leste para segurança. "Para o leste! Para o leste!..."[...] Uma mulher com um olhar feroz e um queixo determinado passou por mim, correndo para o meio da rua. Eu ainda não estava certo do que estava acontecendo, apesar dos gritos. Corri atrás da mulher com algum esforço, pois emboa ela tivesse bem amis que 50 anos, corria muito bem e parecia estar em excelente forma. "O que há?", perguntei. Ela deu-me um olhar rápido, voltou os olhos novamente para frente, parou por um instante e disse: "Não pergunte a mim, pergunte a Deus!".¹
¹ ARONSON, Elliott. O animal social: introdução ao estudo do comportamento humano. Fragmento retirado de From day the dam broke. In: TRURBER, James. My life and hard times. New York: Harper, 1933. p 41-47. ( Impresso originalmente em The New Yorker.)

Se pararmos para refletir e fazer algumas comparações, chegaremos à conclusão de que esse texto ainda traduz a forma de pensar das pessoas, por exemplo, na saída de um estádio de futebol, ao se depararem com um empurra-empurra. Se formos além e fizermos algumas perguntas básicas, como “Quem correu? Para qual direção correram? Quantas pessoas correra,? Por que correram? quantas pessoas sobreviveram?”, veremos que a situação exposta relata uma sátira do que os investidores  fazem diariamente nos mercados, principalmente ao identificarem um movimento dominante em uma direção qualquer.

As pessoas correndo podem ser comparadas aos preços correndo em um gráfico, ou mesmo aos investidores correndo e telefonando para passar ordens de compra ou de venda. A direção para onde os preços correm nada mais é do que a tendência geral deles, que pode ser observada ao longo de um dia de pregão ou durante períodos maiores, como uma semana ou um mês. O número de sobreviventes indica o volume negociado, ou a quantidade de ações que trocou de mãos. O por quê da correria pouco importa, mas pode ter sido uma manchete de jornal, um boato sobre a renúncia de algum político ou mesmo a divulgação de um balanço surpreendente por parte de qualquer empresa. O número de sobreviventes indica a quantidade de contratos em aberto no final do dia, pois para cada contrato futuro comprado existe um contrato futuro vendido – e esse numero varia diariamente. Os feridos representam o grupo de investidores que fecharam posições compradas ou vendidas, mas estão preparados para voltar a qualquer momento. os mortos representam o grupo de investidores que “jogou a toalha” e não pretende voltar ao mercado tão cedo. “Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!”

Afinal, por que os preços oscilam?

Nós, seres humanos, temos a mania de tentar explicar os eventos observáveis do cotidiano. É uma coisa inata, nada podemos fazer quanto a isso. Desde os primórdios da humanidade, tentamos responder a perguntas básicas e essenciais à sociedades: Quem somos? De onde vem o mundo? Quem garante que existimos de fato? Penso, logo existo. Muitos filósofos já devem ter fundido a cabeça imaginando respostas a essas perguntas.

Para muitas pessoas o mundo é tão incompreensível quanto o coelhinho que um mágico tira de uma cartola que, há poucos instantes, estava vazia. No caso do coelhinho, sabemos perfeitamente que o mágico nos iludiu. Quando falamos sobre o mundo, as coisas são um pouco diferentes. Sabemos que o mundo não é mentira ou ilusão, pois estamos vivendo nele, somos parte dele. No fundo, somos o coelhinho branco que é tirado da cartola. A única diferença entre nós e o coelhinho branco pé que o coelhinho não sabe que está participando de um truque de mágica. Conosco é diferente, sabemos que estamos fazendo parte de algo misterioso e gostaríamos de poder explicar como tudo funciona. ²

Em uma primeira análise, talvez as variáveis fundamentais constituam a explicação mais plausível para as variações de preço no mercado de ações; em outras palavras, essa seria a explicação para o truque do mágico que fez o coelhinho aparecer do nada. Para as variáveis fundamentais exercerem esse papel, é preciso que ocorra a alão o mercado, representada pela ação de milhares de investidores que compram e vendem.

esses investidores buscam explicações para tudo e se julgam bem informados sobre o mundo que os cerca. leem jornais, assistem à televisão, acessam a internet, teclam em chats e conversam por telefone com outros investidores. Apenas depois de “digerirem” tanta informação, tomam a decisão de comprar ou vender, fazendo os preços oscilarem no mercado de ações.

Graças à assimetria informacional, as pessoas dificilmente estarão a par de todas as notícias ao mesmo tempo, por mais que a tecnologia e os meios de comunicação disponíveis para a troca de informações se modernizem. raramente esses investidores chegarão às mesma conclusões a respeito do impacto dessas informações no valor de uma ação ou de um ativo financeiro. Ainda assim, os investidores com mais poder de fogo ($$$) pode ter feito uma escolha no sentido contrário e se empenharão para proteger sua posição (nesse caso, vendida). Da mesma forma, o preço dessa ação pode já ter subido bastante em um movimento de antecipação dos insiders a uma notícia favorável à empresa – e, agora que essa notícia enfim ganhou as manchetes dos jornais, o preço dessa ação “inexplicavelmente” cai, deixando a ver navios muitos investidores que entraram comprando tardiamente, os quais tentam encontrar motivo ( ou um “bode expiatório”) para explicar o inexplicável.

Tomemos o exemplo da rede de fast-food note-americana McDonald’s, que é negociada na bolsa de valores de Nova York. Durante toda a década de 1970, o lucro por ação (L.P.A) da empresa subiu mais de dez vezes, impulsionado pela agressiva estratégia de franquias adotada não apenas nos Estados Unidos como também ao redor do mundo. certamente, essa é uma variável  fundamentalista altista. Ocorre que o preço das ações permaneceu relativamente estático durante oito dos dez da década de 1970, inclusive chegou-se a ensaiar um crash  em 1974, ainda que os lucro da empresa permanecessem subindo de maneira consistente. O que aconteceu? Provavelmente os insiders, que possuíam maior poder de fogo, se aproveitaram dos preços em alta nos dois primeiros anos da década de 1970 e se desfizeram de suas ações ainda durante o segundo e em boa parte do terceiro ano. esse é apenas um dos números truques desse grande mágico que é o Sr. M (M de mercado). Além de tirar o coelhinho da cartola, esse mágico costuma fazer outros truques que podem deixar a plateia boquiaberta.

Teoria da Eficiência Perfeita do Mercado

A teoria da eficiência Perfeita do Mercado afirma que é impossível contornar as tendências do mercado, uma vez que os preços refletem todas as informações relevantes para os resultados futuros. Isso significa que a ação será sempre transacionada ao valor justo, fazendo que seja impossível, para os investidores comprar ações desvalorizadas ou vender ações sobrevalorizadas para conseguir lucros significativos. segundo essa teoria, todos têm acesso às mesmas informações e os preços são ajustados instantaneamente a esses novos dados. Não precisamos ir muito longe para afirmar que no mercado de ações ocorre uma enorme assimetria de informações, pois obviamente os diretores de uma empresa sabem mais sobre ela do que  seus acionistas. No caso da Eron, por exemplo, os diretores mentiram ao mercado. Observe no Quadro a seguir as opiniões de analistas de vários brancos internacionais e compare-as com as informações apresentadas no próximo gráfico, gráfico ponto e figura da Enron, com dados do mesmo período.

Comentários fundamentalistas em Enron

grafico 2

grafico3

No gráfico 1.5, temos o Índice Bovespa plotado em conjunto com as manchetes das principais revistas do país. Para nós, o que move o mercado é a expectativa das pessoas quanto ao desempenho futuro, por isso, o mercado não pode ser considerado racional.

Mesmo essa teoria – que apregoa que os movimentos de preços no mercado são erráticos e que constitui tarefa inútil tentar prever qualquer patamar de preço futuro- se baseia em uma das premissas da análise técnica para chegar a essa conclusão- a de que os mercados descontam tudo.

Outro ponto interessante dessa teoria é que o pressuposto de que todos os investidores vão agir de forma racional, e, como ocorre sobretudo nos mercados de baixa excessivamente agudos, sabemos que os preços vão para o bem longe de seu valor “correto” ou intrínseco. Se o mercado fosse racional e eficiente, teria arbitradores ou investidores informados que não deixariam as ações fugir desse valor intrínseco.

Teoria das Finanças Comportamentais e Análise Técnica

A teoria das finanças Comportamentais não nega que a maioria das decisões econômicas seja tomada de forma racional e deliberada. Entretanto, considera que, se não forem levadas em conta, também as decisões emocionais e automáticas, os modelos econômicos serão falhos para explicar o funcionamento dos mercados. Ela é a base teórica da análise técnica.

Vantagens do uso de gráficos

Como vimos, o uso de gráficos tem inúmeras vantagens para o investidor, mas não necessariamente devemos escolher apenas uma técnica de análise de investimentos, embora fundamentos e preços nem sempre caminhem de mãos dadas e a divergência entre ambos possa dar um alerta ao investidor atento. Talvez seja hora de colocar os pés no chão e analisar o mercado sob outro prisma. Além disso, o suo sistemático de gráficos pode ser útil nos seguintes aspectos:

  • oferece um histórico da ação dos preços;
  • é um instrumento útil para o fundamentalista;
  • reflete o comportamento do mercado;
  • dá uma boa implementação de estratégias de timing;
  • ajuda também na administração de risco (stop)
O que diz a legislação?

Para a comissão de Valores Mobiliários (CVM)- por meio do Ofício- Circular/CVM/SIN/Nº 002/2009-, não há distinção entre analista gráfico e o analista fundamentalista, e ambos devem comprovar a sua qualificação técnica com o certificado Nacional de Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e posteriormente, obter registro na própria CVM, para que possa exercer essa atividade. A orientação da CVM tem o objetivo de esclarecer que as análises gráficas e as recomendações recorrentes destas, divulgadas em sites, chats ou blogs especializados na internet, se realizadas em caráter profissional, devem ser elaboradas e divulgadas por profissionais credenciados pela Apimec e registrados na CVM.

 

Touros versus Ursos

“Existe apenas um lado do mercado e não é a do touro nem a do urso, mas o lado certo.”

Jesse Livermore, um dos maiores operadores de todos os tempos.

Antes de qualquer coisa, precisamos definir dois termos comumente utilizados no mercado financeiro:

  • ESTAR ALTISTA/BULLISH :  tendência em um mercado de ações quando, pela predominância da demanda, os preços dos papeis sobem. O termo em inglês vem de “bull” (touro), cuja origem é a simbologia do touro, animal que ataca com chifres, realizando movimentos de baixo para cima, erguendo seu rival no ar.
  • ESTAR BAIXISTA/BEARISH: tendência em um mercado de ações quando, pela predominância de oferta, os preços dos papéis caem. O termo em inglês vem de “bear” (urso). Um urso ataca com movimentos da garra de cima para baixo, derrubando seu adversário, daí a origem do termo.

Então, o que tentaremos entender nos próximos posts aqui no blog é como funciona essa batalha diária entre touros e ursos no mercado financeira, fiquem de olho em nosso Blog, ative as notificações para receber nossas notícias diárias e o conteúdo para estudo.

 

Até mais pessoal 😉

Fonte: Análise Técnica dos Mercados Financeiros. Flávio Lemos

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Redação

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